As tendências econômicas no mercado paranaense

O segundo painel do dia de abertura da 2ª SEPEAG DIGITAL reuniu especialistas de diferentes setores da economia paranaense para debater o cenário regional e nacional. O painel “Tendências Econômicas Setoriais: Construção Civil, Agronegócio, Indústria e Governo” teve a participação do presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, do vice-presidente do Banco de Dados do Sinduscon/PR, Marcos Kathalian, do economista da FIEP, Marcelo Alves, e do vice-governador do Paraná, Darci Piana.

O agronegócio como força motriz da economia
Primeiro a falar no painel, o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, disse que nesse momento de pandemia, as atividades fundamentais passam a ter grande importância. Ele fez uma análise da economia, informando sobre o PIB, a inflação, a projeção da Selic e do dólar. Dentro desse cenário, afirmou que hoje não faz mais sentido classificar o agro, dividindo em economia rural e urbana. “O agro está nesses dois ambientes e é importantíssimo para dar um desempenho melhor a nossa economia”.

Ricken mostrou alguns, dentre eles, o Valor Bruto da Produção do Agro, que teve um crescimento de 10%. A safra de grãos também está em alta, com uma evolução de 1,5%. Especificamente sobre o milho, ele explicou que houve uma queda em virtude do clima (calor e geada) e do déficit hídrico. “Teve uma redução de 42 para 34 milhões de toneladas nesta última safra”, disse. Sobre os preços, com a busca internacional pelos produtos do agro brasileiro, os valores se tornaram mais altos.

Em um panorama geral, o Paraná possui 217 cooperativas, com 2,48 milhões de cooperados e um faturamento de R$ 115,7 bilhões. São 120 unidades agroindustriais, sendo 48% das receitas geradas pela industrialização. A exportação representa 21% do faturamento, resultando no valor de US$ 4,4 bilhões. “O nosso cooperado é iminentemente de pequenos produtores, representam 70% dos cooperados”, salientou.

Por fim, o presidente do Ocepar apresentou o mapa estratégico da entidade, cujo objetivo é o Desenvolvimento Sustentável do Cooperativismo Paranaense, tendo como alicerces a economia, educação, cooperação, inovação e socioambiental. A expectativa é o segmento atingir R$ 200 bilhões de faturamento anual e 4 milhões de cooperados. “Oportunidades existem, nós temos que produzir e atende a essa demanda de forma organizada, respeitando a questão ambiental. E temos que saber como nos comunicar”, finalizou.

- A construção civil e seu papel na economia
Falando sobre a construção civil, o vice-presidente do Banco de Dados do Sinduscon/PR, Marcos Kathalian, traçou o panorama do ano e as expectativas do segmento. Para este ano, a previsão de crescimento é de 4%, sendo puxado pelo setor imobiliário. “O que vem crescendo é a construção imobiliária, sendo reforçada pelo crédito imobiliário, que cresceu 123% no primeiro semestre de 2021”, disse. Outro ponto importante destacado por ele, foi o aumento do número de contratação com carteira assinada pela Construção Civil.

Com o aumento do volume de vendas da Construção Civil, projetos que estavam engavetados, em virtude da pandemia, começaram a ser realizados. Para Kathalian, a nota negativa é a construção de moradias mais populares, este ano a queda foi de 12%. “Nas rendas médias e altas está muito acelerado e nas baixas está retraído. Um impacto gigantesco da inflação e desemprego”, afirmou.

Para ele, um grande desafio da construção é o custo. “O aumento desproporcional dos insumos base da construção civil é uma preocupação. Alguns materiais, como o aço por exemplo, teve um incremento de mais de 70%”, disse. Assim o impacto é grande e os orçamentos devem ser revistos. Kathalian apontou que o setor responde de duas maneiras, a primeira é a ação direta de aumento de produção, buscando novos fornecedores. E a outra, são as alternativas de construções, como o uso de madeira. “O setor está tendo que responder criativamente. Porque o desafio do custo não tem uma equação clara de curto prazo”, complementou.

Para finalizar, Kathalian mostrou alguns dados de Curitiba que refletem o desempenho do Estado, no que diz respeito à recuperação da intenção de construção. No primeiro semestre, a cidade teve 66% mais unidades liberadas (alvarás) em comparação ao mesmo período do ano passado e 82% a mais de lançamentos imobiliários. “Unidade liberada e lançamento é emprego contratado”, disse. O setor de 2014 até o início de 2020 teve uma queda de mais de 30%, foram perdidos mais de 1 milhão de empregos no país. “Efetivamente estamos recuperando”, concluiu Kathalian.

- Indústria recupera confiança
Economista na FIEP, Marcelo Alves iniciou a sua fala mostrando o cenário do segmento no Estado, que representa cerca de 20% do PIB. Ele destacou que os principais segmentos são o de alimentos, veículos automotivos e derivados de petróleo. As exportações da indústria representam mais de 69% de todo o volume exportado no Brasil, tendo 33% da arrecadação e tributos federais. “A cada R$ 1 produzido, gera R$ 2,43 na economia brasileira”, disse. O desempenho da indústria, depois de 2020, teve uma queda muito forte, “e tivemos um efeito de recuperação, que ainda não está consolidada, mas há uma retomada rápida da Indústria a partir de julho”. Complementou Alves.

Alves falou de alguns pontos sensíveis aos empresários do setor, dentre ele o nível de vacinação. “Tivemos um início pouco mais tardio, mas é contínuo. Com isso melhora o nível de confiança do empresário”. Também, a questão dos insumos, com o aumento considerável dos preços a partir do terceiro trimestre de 2020, 68% dos empresários relatam que esse aumento de custo reflete diretamente na produção.

Com relação à produção industrial, Alves disse que em 2019 o Paraná obteve o melhor resultado do Brasil. Mas, com a pandemia, houve uma destruição da atividade produtiva. “Ao longo do segundo semestre percebemos uma recuperação, que foi sustentada especialmente pelo setor de alimentos”, explicou Alves. Para ele, o mercado de trabalho sofreu muito com a pandemia em todos os segmentos, com índices negativos. Dados do mês de junho mostram que a indústria tem saldo positivo de 35 mil postos de trabalho. “Isso é um excelente resultado, pois comprova a retomada do segmento”.

Para finalizar, Alves mostrou alguns fatores que podem influenciar na Indústria nos próximos anos: as eleições (que pode trazer instabilidade), risco de crise hídrica, inflação e taxa de juros em trajetória de alta, imunização a população, demora das reformas econômicas (tributária e administrativa), redução dos estímulos econômicos nas principais economias mundiais e baixa expectativa de crescimento da economia brasileira em 2022.

- Os investimentos do Governo do Estado do Paraná
“Eu sempre digo que continuo emprestado ao Governo, sou um homem do setor produtivo”, assim o vice-governador do Paraná, Darci Piana, iniciou a sua fala na 2ª SEPEAG DIGITAL. Piana afirmou que o Governo do Estado está numa fase boa, resultado de um projeto para enxugar os custos da máquina, com ações como a redução de 28 para 15 secretarias, a fusão de pastas, contratos refeitos. “Essas e outras ações geraram uma economia substancial, que chega à casa dos R$ 3,5 bilhões”, afirmou.

O vice-governador disse que a pandemia trouxe dificuldades, mas que o Paraná conseguiu se proteger e se manter economicamente. Falou que o governo paranaense percebeu logo cedo que o sistema financeiro nacional não teria recursos suficientes para ajudar todos os Estados brasileiros nesse período. “Foi feito um projeto, contratamos 50 engenheiros e adiantamos tudo o que seria necessário. O problema é não ter projetos para aplicar os recursos. Fizemos nossa lição de casa”, disse. Ele afirmou que no primeiro mandato, o Estado conseguiu em torno de R$ 35 bilhões da iniciativa privada, contratos que foram mantidos mesmo durante o período pandêmico.

Somando todos os setores, Piana afirma que há mais de 100 bilhões de investimentos previstos para os próximos anos no Paraná. Falou sobre as concessões dos pedágios e o impacto na economia paranaense. Falou da malha ferroviária e o andamento de licitações no setor, do investimento no Porto de Paranaguá e no Porto de Antonina. “O objetivo é reduzir os custos dos transportes e da importação e exportação. Gerando uma competitividade maior no mercado internacional”, pontuou. Essa infraestrutura é o grande gargalo do Paraná. “O objetivo é transformar o Estado no mais importante centro logístico da América Latina, com modais diferenciados e um frete justo”, complementou Piana.

Acompanhe a programação pelo canal do Crea-PR no YouTube e um ótimo evento! As inscrições ainda podem ser feitas em sepeag.crea-pr.org.br.

 Conteúdo:Básica Comunicações

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